terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Farol

Há quem diga que poesias
as mais bonitas
são frutos da dor
discordo

Bonito é sentir
a felicidade de compartilhar
conforto de encostar o coração
em um coração que abraça

aquele coração que faz feliz
Ter paz e sorrisos completos
alegria viva e sonhos bons
prefiro cantar amor recíproco

Na volta para casa
desejar todos os faróis fechados
aproveitar o máximo
todo tempo que puder olhar

Sabe? Olhar o perfil
e a cada farol contemplar
amar o conjunto
olhos, nariz, boca, barba
Me arrasa.

cantando o sentimento par
espero sempre pode-lo
transbordar

Bruna Messias

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

"O meu amor alimenta-se do seu amor"

Se Me Esqueceres"Quero que saibas 
uma coisa. 

Sabes como é: 
se olho 
a lua de cristal, o ramo vermelho 
do lento outono à minha janela, 
se toco 
junto do lume 
a impalpável cinza 
ou o enrugado corpo da lenha, 
tudo me leva para ti, 
como se tudo o que existe, 
aromas, luz, metais, 
fosse pequenos barcos que navegam 
até às tuas ilhas que me esperam. 

Mas agora, 
se pouco a pouco me deixas de amar 
deixarei de te amar pouco a pouco. 

Se de súbito 
me esqueceres 
não me procures, 
porque já te terei esquecido. 

Se julgas que é vasto e louco 
o vento de bandeiras 
que passa pela minha vida 
e te resolves 
a deixar-me na margem 
do coração em que tenho raízes, 
pensa 
que nesse dia, 
a essa hora 
levantarei os braços 
e as minhas raízes sairão 
em busca de outra terra. 

Porém 
se todos os dias, 
a toda a hora, 
te sentes destinada a mim 
com doçura implacável, 
se todos os dias uma flor 
uma flor te sobe aos lábios à minha procura, 
ai meu amor, ai minha amada, 
em mim todo esse fogo se repete, 
em mim nada se apaga nem se esquece, 
o meu amor alimenta-se do teu amor, 
e enquanto viveres estará nos teus braços 
sem sair dos meus."
Pablo Neruda

domingo, 23 de novembro de 2014

A melhor estadia

Te amo imensamente
sentimento que me toma toda
tem de você em cada pedaço de mim

Em cada pequeno pedaço de mim,
você esta e quero que fique,
fique mais, fique muito, fique inteiro,
enquanto eu estiver em você
Faça de mim sua melhor estadia.

Queria dormir ao seu lado essa noite,
sentir alguma parte do seu corpo
durante o tempo todo
em alguma parte do meu

Só no pegar das mãos
tenho toda felicidade
plenitude infinita
e a calma de deitar na grama,
despreocupada

Que sejamos enquanto tivermos de ser
o eterno abrigo um do outro.

Bruna Messias

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Frio, perdoe os solitários!

                     Ah frio! Os solitários tem razão em reclamar de você. Seus dias escurecidos e carinhos congelantes afastam sorrisos e gestos expansivos trocados por braços encolhidos, orelhas geladas e corações desacreditados. Eu mesma já cheguei a pedir que não aparecesse ou que não voltasse.
                     Pois é devo-lhe um grande pedido de desculpas. Peço que perdoe os solitarios, não sabes como é difícil, roupas com cheiro de mofo só esquentam o corpo.
                    Não tenha recentimentos meu amigo, os que amam não se importam com sua falta de jeito. Não se intimide, imagino como deve ser difícil ser ignorado e desprezado pelos corações ímpar, são coisas da vida viu?
                     Hoje, meu caro, tenho coisas felizes para conversar com você. Tenho um Coração par, quente. Tenho um amor! Daqueles bem ardentes, cuja chama esquenta o corpo além do que se possa imaginar.
                    Devo dizer que amar em meio aos seus carinhos gelados é ser feliz no toque quente dele, você nos aproxima, não há nada mais feliz e confortável que pousar no peito que exala o calor que preciso para viver bem e completa. Quando a nossa boca encosta e nossos braços enlaçam num carinho terno, meu coração é capaz de me deixar nua no polo norte e estaria mais quente que os raios do sol, e amo, amo muito.
                     Se estamos distantes, não pense que congelo, não pense que nesse momento você me faz mal pois a intensidade desse amor não me esfria e está aqui nas lembranças e na saudade, um querer bem capaz de me completar, me satisfazer, me ferver e mesmo longe, sinto o toque dele e sou muito feliz.
                     Devo afinal, agradecer-lhe pelos dias escurecidos e carinhos congelantes pois assim sinto o caloramor que conforta e me faz sentir plena a todo instante e a cada dia.

Bruna Messias

sábado, 14 de junho de 2014

Filme: Augustine (2012)



               Augustine, dirigido pela francesa Alice Winocour produzido em 2012 trata, de forma envolvente, a relação de um médico com uma paciente e expõe o impacto histórico da doença, diagnosticada, histeria.
               O filme expõe uma garota que procura tratamento após um ataque nutrido por alucinações, espasmas, paralisação e perda de sensibilidade de um dos lados de seu corpo. 
               Ao ser internada e ter perdido a visão de um dos olhos passa por uma serie de exames onde o médico, Charcot, se interessa pelo estado clinico da paciente, começa analisa-lo minuciosamente e vê uma grande oportunidade de crescer profissionalmente. 
              A moça, sempre clamando pela cura é, vez ou outra, exposta a outros médicos, pesquisadores ou cientistas, sendo hipnotizada, provocando novos ataques para que fossem confirmadas as constatações de Charcot que dizia também que esses ataques provocados serviam para o estudo dos sintomas.  
              É citado que os ataques são motivos das mortes de inocentes nas fogueiras inquisitoriais já que religiosos achavam que a sexualidade era fonte do poder de feiticeiras que apresentavam quadros de instabilidade emocional, perturbação mental, espasmas, paralisias, dores agudas, dentre outros sintomas, relacionados ao sexo, julgados como bruxaria, possessão demoníaca ou sobrenatural, morriam por estarem doentes.  
             Ocorre então o envolvimento sentimental que dá continuidade ao drama médico/paciente e a historia segue intensa, a parte de clichês, vilões ou mocinhos. A diretora procura mostrar pessoas como são, vivendo sentimentos gradativos, sem o exagero dramático, deixa claro escorregões éticos e envolvimento sexual, desejos humanos, entrega aos prazeres da carne, vivido pelos protagonistas.

Bruna Messias

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O que sobrou de mim

O vento vem
Traz o vazio
amor de ninguém

afaga cabelos
esfria orelhas e nariz
Mas que diferença faz
o coração está por um triz

Vi o calor se esvair
sem piedade,
E você foi,
sem mim

Sozinha com saudade e frio
lembranças e mil coisas vi
Tentando aquecer o que sobrou
Sinto o vento tão triste,

Solitário!

Acaricia meu rosto
mas não me ve feliz.

Bruna Messias

terça-feira, 27 de maio de 2014

De quem é a culpa Brasil?

               Tem algum tempo que venho pensando em como tocar nesse assunto ou a melhor forma de trata-lo, pelo contrario do pensamento popular a questão, problemas sociais, vai muito além da figura que ocupa a presidência, Dilma Rousseff. Não sou adepta ao PT e não estou numa posição de defesa, me posiciono com imparcialidade.
               Vejo em muitos casos a exclusividade da culpa, porém a falta de resolução de problemas sociais não parte da pessoa em si e sim do governo como um todo, a Dilma não toma decisões sozinha e definitivamente não tem o país nas mãos para fazer o que bem entender, as decisões passam por uma serie de aprovações hierárquicas.
               Os pedidos comuns são hospitais, educação, segurança, transporte publico, entre outros, está ai, estas questões não são de responsabilidade da presidente em si.
              Você pode contrapor dizendo que a Dilma representa o governo federal, sim, mais pouco ouço "fora prefeito" ou "fora governador" se trocássemos a presidente e o prefeito e o governador estadual continuarem os mesmos, será que resolveria? Veja só, se tirássemos a Dilma e mantivéssemos o Alckmin como governador, a questão, por exemplo, metrô se resolveria?
               Tudo bem que a Dilma representa o país e a imagem dela está diretamente ligada ao poder máximo e que talvez pressiona-la com toda essa ferocidade geraria, quem sabe, certo medo nos poderes de responsabilidade restrita aos estados ou municípios mas se analisarmos minuciosamente trocar o poder máximo não impede que o poder estadual ou municipal mantenham-se no bem estar de um mandato despreocupado. Alias, entre os poderes, as vezes, podemos notar um atribuindo as responsabilidades ao outro querendo se isentar de problemas, como se estivessem brincando de batata quente e sendo a batata, aqui estamos.
               Quero dizer, deve-se exigir melhorias mas atribuir toda a responsabilidade em apenas um responsável que ocupa o nível mais distante de si é desviar o foco ou que sejam cobrados todos de uma vez na mesma intensidade.

Bruna Messias

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sempre volta

Quem sabe um dia
consiga explicar
com o que sinto    
toco estrelas
         
Os beijos nos faz sentir,
os abraços nos aquecer
nu no nu com prazer
bonito, arrepio do querer            
                                                         
A hora passa,
Você vai,
Ai! Já posso sentir  
saudades machuca, amor...
                 
Ai você volta, quente
a barba acompanha o beijo  
Do queixo à flor
Irradiado, amor              
                               
O sol já vai se por    
Me vejo do avesso
Rasgando o peito...

Ei amor,
volta!

Bruna Messias

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Sobre amor

Tenho por dizer
mil coisas sobre amor
sempre digo
as vezes repito
inconsciente
                           
te amo todo    
por tudo
com tudo
como posso

te amo assim, desajeitada
medrosa e involuntária
com vontade do mundo

ah mundo!
vive-lo com você
todas as sensações

coração imerso num mar
de prazer, poder
querer e viver
toda felicidade com você.

Bruna Messias

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Hilda Hilst, sua escrita sedutora e seus "Poemas malditos, gozosos e devotos"


     

         Tudo começou com o primeiro livro que li desta mulher, "Cartas de um sedutor" um livro cujo titulo me chamou atenção e a descrição despertou curiosidade. Posso dizer brevemente que trata-se de cartas de cunho sexual enviadas por um homem, a sua irmã, para tentar entender a vida. Uma leitura incrível onde cria-se uma interação intensa, visto que só temos as cartas enviadas pelo homem de forma que as cartas de sua irmã são imaginadas conforme a leitura flui, as respostas são escritas perfeitamente pela imaginação do leitor. A forma reveladora, prazerosa e, as vezes, constrangedora, porém nunca desagradável, de tratar o sexo gera esmero pelas linhas percorridas.
         Em outra obra, Hilda Hilst atreve-se, em sua literatura petulante, com teor acido e desiludido, tocar em um dos, se não o mais, polemico dos assuntos que assombra a humanidade desde que a vida é vida, a existência e ações de Deus.
          No livro "Poemas malditos, gozosos e devotos" ela trata o tema com a tristeza do abandono. Descreve um Deus cruel, intolerante, insensível e vingativo.
          No poema I tais características são citadas tanto em relação a ela e outros seres, quanto em relação a Jesus, visto a partir de um Deus bíblico onde interpreta-se que este teve um filho. Lê-se "Nos pés de carne/ Nas mãos de carne/ No peito vivo. De carne/ cuidado" mostra as chagas de Jesus na crucificação, ou seja, nem seu próprio filho foi resgatado do horror mundano.
         Ainda sobre o poema I uma das características já citadas "Meu Deus, por tamanho esquecimento/Desta que sou, fiapo, da terra um cisco/beijo-te pés e artelhos." a desilusão de ter sido abandonada por um criador tão indiferente a criação.
        A revolta pelo excessivo descaso divino, ela lamenta, em sua maioria, uma grande decepção, uma crente que foi ignorada em sua fé, desiludida, não suporta a forma ingrata do divino, poema III "Quem sou?/talhas, do teu divino humor./Coronhadas exatas/De tuas mãos sagradas./me queres esbatida, gasta". Percebe-se também, uma desesperada tentativa de fazer Deus sentir remorso, poema IV "Me deste vida e morte./Não te dói o peito?".
       Ela escreve de forma desgostosa, mas nunca totalmente descrente, em dois poemas a leitura parece cansada de dar murro em ponta de faca e torna-se menos agressiva e mais dizendo a Deus que, se existe, da maneira dela, ela soube o amar. Poema XVI "Que os que passam me perguntam: / são canteiros de Deus? / Digo que sim por vaidade / sabendo dos infinitos / de uma infinita procura / de tu e eu." e XXI "Sorri, meu Deus, por mim. De cedro / De mil abelhas tu és. Cavalo d'agua / Rondando o ego. Sorri. Te amei sonâmbula / Esdrúxula, mas te amei inteira"
       Talvez os poemas sejam malditos por tentar apresentar a verdade de um Deus excêntrico, gozosos por possuírem noticias desagradáveis em estrofes bem escritas e devotos por apresentar um credulidade, mesmo que desiludida.

Bruna Messias

Inocente desejo


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Reencontro

Deixei meu colar na tua casa
quero um motivo para voltar
poder amar mais e deixar
também os brincos.

Acabo lembrando que deixo
Sempre deixo
do nosso amor
do nosso corpo,
o calor.

Me deixo, aos pedaços,
na cama que deitas
na dança do amor
sempre, calor.

Volto e reencontro
do que deixei
o que virei
mais amei.

Bruna Messias