terça-feira, 27 de maio de 2014

De quem é a culpa Brasil?

               Tem algum tempo que venho pensando em como tocar nesse assunto ou a melhor forma de trata-lo, pelo contrario do pensamento popular a questão, problemas sociais, vai muito além da figura que ocupa a presidência, Dilma Rousseff. Não sou adepta ao PT e não estou numa posição de defesa, me posiciono com imparcialidade.
               Vejo em muitos casos a exclusividade da culpa, porém a falta de resolução de problemas sociais não parte da pessoa em si e sim do governo como um todo, a Dilma não toma decisões sozinha e definitivamente não tem o país nas mãos para fazer o que bem entender, as decisões passam por uma serie de aprovações hierárquicas.
               Os pedidos comuns são hospitais, educação, segurança, transporte publico, entre outros, está ai, estas questões não são de responsabilidade da presidente em si.
              Você pode contrapor dizendo que a Dilma representa o governo federal, sim, mais pouco ouço "fora prefeito" ou "fora governador" se trocássemos a presidente e o prefeito e o governador estadual continuarem os mesmos, será que resolveria? Veja só, se tirássemos a Dilma e mantivéssemos o Alckmin como governador, a questão, por exemplo, metrô se resolveria?
               Tudo bem que a Dilma representa o país e a imagem dela está diretamente ligada ao poder máximo e que talvez pressiona-la com toda essa ferocidade geraria, quem sabe, certo medo nos poderes de responsabilidade restrita aos estados ou municípios mas se analisarmos minuciosamente trocar o poder máximo não impede que o poder estadual ou municipal mantenham-se no bem estar de um mandato despreocupado. Alias, entre os poderes, as vezes, podemos notar um atribuindo as responsabilidades ao outro querendo se isentar de problemas, como se estivessem brincando de batata quente e sendo a batata, aqui estamos.
               Quero dizer, deve-se exigir melhorias mas atribuir toda a responsabilidade em apenas um responsável que ocupa o nível mais distante de si é desviar o foco ou que sejam cobrados todos de uma vez na mesma intensidade.

Bruna Messias

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sempre volta

Quem sabe um dia
consiga explicar
com o que sinto    
toco estrelas
         
Os beijos nos faz sentir,
os abraços nos aquecer
nu no nu com prazer
bonito, arrepio do querer            
                                                         
A hora passa,
Você vai,
Ai! Já posso sentir  
saudades machuca, amor...
                 
Ai você volta, quente
a barba acompanha o beijo  
Do queixo à flor
Irradiado, amor              
                               
O sol já vai se por    
Me vejo do avesso
Rasgando o peito...

Ei amor,
volta!

Bruna Messias

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Sobre amor

Tenho por dizer
mil coisas sobre amor
sempre digo
as vezes repito
inconsciente
                           
te amo todo    
por tudo
com tudo
como posso

te amo assim, desajeitada
medrosa e involuntária
com vontade do mundo

ah mundo!
vive-lo com você
todas as sensações

coração imerso num mar
de prazer, poder
querer e viver
toda felicidade com você.

Bruna Messias

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Hilda Hilst, sua escrita sedutora e seus "Poemas malditos, gozosos e devotos"


     

         Tudo começou com o primeiro livro que li desta mulher, "Cartas de um sedutor" um livro cujo titulo me chamou atenção e a descrição despertou curiosidade. Posso dizer brevemente que trata-se de cartas de cunho sexual enviadas por um homem, a sua irmã, para tentar entender a vida. Uma leitura incrível onde cria-se uma interação intensa, visto que só temos as cartas enviadas pelo homem de forma que as cartas de sua irmã são imaginadas conforme a leitura flui, as respostas são escritas perfeitamente pela imaginação do leitor. A forma reveladora, prazerosa e, as vezes, constrangedora, porém nunca desagradável, de tratar o sexo gera esmero pelas linhas percorridas.
         Em outra obra, Hilda Hilst atreve-se, em sua literatura petulante, com teor acido e desiludido, tocar em um dos, se não o mais, polemico dos assuntos que assombra a humanidade desde que a vida é vida, a existência e ações de Deus.
          No livro "Poemas malditos, gozosos e devotos" ela trata o tema com a tristeza do abandono. Descreve um Deus cruel, intolerante, insensível e vingativo.
          No poema I tais características são citadas tanto em relação a ela e outros seres, quanto em relação a Jesus, visto a partir de um Deus bíblico onde interpreta-se que este teve um filho. Lê-se "Nos pés de carne/ Nas mãos de carne/ No peito vivo. De carne/ cuidado" mostra as chagas de Jesus na crucificação, ou seja, nem seu próprio filho foi resgatado do horror mundano.
         Ainda sobre o poema I uma das características já citadas "Meu Deus, por tamanho esquecimento/Desta que sou, fiapo, da terra um cisco/beijo-te pés e artelhos." a desilusão de ter sido abandonada por um criador tão indiferente a criação.
        A revolta pelo excessivo descaso divino, ela lamenta, em sua maioria, uma grande decepção, uma crente que foi ignorada em sua fé, desiludida, não suporta a forma ingrata do divino, poema III "Quem sou?/talhas, do teu divino humor./Coronhadas exatas/De tuas mãos sagradas./me queres esbatida, gasta". Percebe-se também, uma desesperada tentativa de fazer Deus sentir remorso, poema IV "Me deste vida e morte./Não te dói o peito?".
       Ela escreve de forma desgostosa, mas nunca totalmente descrente, em dois poemas a leitura parece cansada de dar murro em ponta de faca e torna-se menos agressiva e mais dizendo a Deus que, se existe, da maneira dela, ela soube o amar. Poema XVI "Que os que passam me perguntam: / são canteiros de Deus? / Digo que sim por vaidade / sabendo dos infinitos / de uma infinita procura / de tu e eu." e XXI "Sorri, meu Deus, por mim. De cedro / De mil abelhas tu és. Cavalo d'agua / Rondando o ego. Sorri. Te amei sonâmbula / Esdrúxula, mas te amei inteira"
       Talvez os poemas sejam malditos por tentar apresentar a verdade de um Deus excêntrico, gozosos por possuírem noticias desagradáveis em estrofes bem escritas e devotos por apresentar um credulidade, mesmo que desiludida.

Bruna Messias

Inocente desejo


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Reencontro

Deixei meu colar na tua casa
quero um motivo para voltar
poder amar mais e deixar
também os brincos.

Acabo lembrando que deixo
Sempre deixo
do nosso amor
do nosso corpo,
o calor.

Me deixo, aos pedaços,
na cama que deitas
na dança do amor
sempre, calor.

Volto e reencontro
do que deixei
o que virei
mais amei.

Bruna Messias